Debate entre o velho e o novo modelo de desenvolvimento

Por Mauro Armelin*

O Acre tem assistido nas últimas semanas a um acirrado debate que questiona uma série de avanços obtidos no Estado nos últimos anos. Algumas entidades vêm tentando, frequentemente de forma destrutiva e usando argumentos frágeis, rotular de inadequadas as políticas que buscam valorizar os ativos florestais e remunerar de forma digna comunidades por produtos florestais e serviços ambientais.

Trata-se, claramente, de um debate que coloca frente a frente dois modelos de desenvolvimento: aquele do passado, que recompensava o desmatamento e as práticas predatórias e, frequentemente, criminosas, e um novo sistema, que procura valorizar a floresta, promovendo inclusão social e conservação ambiental.

O debate em torno desses modelos bastante distintos não envolve somente a conservação de nossas florestas mas, principalmente, a presença do Estado perto do cidadão, nas cidades, nas áreas rurais ou na floresta. Não por acaso, os números de violência rural no Acre nunca estiveram tão baixos, tendência que não se repete em outros estados da Amazônia Brasileira. Neste mês de outubro, diga-se de passagem, mais um crime foi cometido: um líder comunitário que denunciava a grilagem de terras e o roubo de madeira foi assassinado em Itaituba, no Pará.

Cabe ressaltar que, via de regra, as quebras de paradigma envolvem erros e acertos, conflitos e testes de diferentes modelos e políticas. Entretanto, é fundamental ressaltar que o caminho de mudança escolhido pela sociedade acreana, adotado de forma mais marcante há 12 anos, acumula muito mais acertos do que erros: a qualidade de vida e a renda da população melhoraram sensivelmente, os movimentos sociais ganharam espaço, as atividades ilegais declinaram e a conservação das florestas acreanas experimentou um considerável salto qualitativo.

Há mais indicadores que demonstram que o Acre está trilhando o rumo certo no sentido de combinar crescimento econômico e conservação ambiental: o Estado, nos últimos anos, vem acumulando crescimento no Produto Interno Bruto simultaneamente a seguidas quedas nos índices de desmatamento, demonstrando que o desenvolvimento pode acontecer sem que traga consigo devastação dos ecossistemas e dos recursos naturais.

Além do mais, o Estado vem caminhando em sintonia com aquilo que setores mais progressistas, respaldados pelo conhecimento científico, têm defendido não só no Brasil, como em outros países megadiversos dotados de florestas tropicais. Jamais devemos nos furtar a debater equívocos e sucessos das políticas florestais no Acre ou em qualquer outro estado brasileiro. Porém, não podemos admitir retrocessos que só beneficiariam interesses daqueles que são contrários à promoção do desenvolvimento sustentável no Estado e que tentam sabotar o caminho rumo à economia do século 21 (economia verde).

Em conclusão, cabe salientar que a principal argumentação em defesa do novo modelo de desenvolvimento adotado pelo Estado do Acre não está nos argumentos técnicos contidos neste artigo, nem nas recentes manifestações por parte da sociedade civil organizada, estudantes e pesquisadores afirmando que, a despeito de problemas e imperfeições, o Acre está no caminho certo. Na verdade, o argumento incontestável em defesa das políticas de valorização da floresta e das populações locais vem sendo observado há 12 anos, período em que a sociedade acreana tem referendado, democraticamente nas urnas, os avanços do Estado nos campos social, ambiental e econômico.

*Mauro Armelin é engenheiro florestal e coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil

Fonte: WWF Brasil

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Sobre Liliane Castro

"O que eu faço, é uma gota no meio de um oceano. Mas sem ela, o oceano será menor." (Madre Teresa de Calcutá) Ficarei uns dias sem postar, devido a preparação e defesa de TCC na Universidade...
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